sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Conto 4 - "Um Conto Rimado" - Parte 14


Enquanto permanecia meio preso,
O telefone era o objecto de comunicação,
Com a esposa continuava o seu desprezo,
Para que não tivesse esperanças na relação.

Na semana seguinte deixaria de vez o lar,
Na casa dos seus pais iria voltar a residir,
Não queria por enquanto de Laura falar,
Mas no futuro era com ela que se ia unir.

Tudo a seu tempo se iria encaixar,
Sem pressas e sem ferir ninguém,
Até lá algum sigilo, mas podia namorar,
E mais tarde no altar poder dizer amén.

Passaram-se alguns meses neste impasse,
Os papéis do divórcio em andamento,
Parecia estar mais perto o seu novo enlace,
Mas queria com Joana ter bom entendimento.

Havia um filho, fruto daquela união,
Que gostaria que os pais se entendessem,
Já era desgostoso viver com a separação,
Pior seria se mãe e pai se indispusessem.

Paula Costa - 05.12.2008...(continua....)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Conto 4 - "Um Conto Rimado" - Parte 13


Permaneceu no hospital mais 1 semana,
E só tinha a visita dos seus familiares,
Falava bem ao filho mas ignorava Joana,
Dirigindo-se a ela em assuntos peculiares.

Quando o filho não estava presente,
Fez ver à esposa as suas intenções,
O que já tinha dito era ponto assente,
Ela que arranjasse novas soluções.

Joana ouvia-o e só conseguia chorar,
Depois do acidente piorou a situação,
Teria que ter força e a sua vida mudar,
Não havia clima para uma reconciliação.

Com Laura só falava ao telemóvel,
Prometendo poder vê-la brevemente,
Sentia-se melhor e menos imóvel,
Tendo alta só a queria ver na frente.

Avisou os seus pais da sua decisão,
Ficaram tristes mas compreenderam,
Amavam-no e estenderam-lhe a mão,
E o regresso ao seu lar lhe propuseram.

Rapidamente voltou a casa recuperado,
Mas com algumas restrições do hospital,
Trabalhar e sair de casa não era adequado,
Poderia ainda ter náuseas e sentir-se mal.

Paula Costa - 04.12.2008...(continua....)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Conto 4 - "Um Conto Rimado" - Parte 12


Nessa noite Laura mal conseguiu dormir,
Gonçalo não saía do seu pensamento,
Um amor assim ninguém podia destruir,
Teria de acabar logo com este sofrimento.

Cedo ligou à senhora que a ajudou,
Quis saber de alguma novidade,
Depressa muito bem disposta ficou,
Sabendo que acabou aquela fatalidade.

Pediu novamente para o visitar,
Queria muito vê-lo acordado,
Só depois é que poderia avaliar,
O que na verdade se tinha passado.

Teve novamente consentimento,
Mas não podia deixar ser sempre,
Compreendeu sua dor e sofrimento,
Permitindo-a de ir ver o doente.

Quando Gonçalo a viu na sua frente,
Seus olhos brilharam de emoção,
Um abraço entre eles era urgente,
Comovidos depois de toda a aflição.

Laura ficou ao corrente do incidente,
Sentindo-se meia culpada do sucedido,
E do futuro ficou ainda mais temente,
Com receio que Joana mate o marido.

Avisou que ao hospital não podia voltar,
Porque as visitas não lhe eram concedidas,
Se o seu estado não se viesse a agravar,
Logo seriam curadas todas as feridas.

Paula Costa - 27.11.2008...(continua....)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Conto 4 - "Um Conto Rimado" - Parte 11


Voltou ao hospital depois das sete,
Passou por enfermeira de bata branca,
Tinha a indicação do quarto num bilhete,
Mas sentia-se como uma saltimbanca.

Conseguiu finalmente ver o seu amor,
Chorou imenso ao vê-lo inanimado,
Estava muito pálido e quase sem cor,
Queria tanto que estivesse acordado.

Pegou na sua mão para lhe dar calor,
Impressionava-a estar todo entubado,
Falava-lhe ao ouvido palavras de amor,
E custava-lhe deixá-lo ali abandonado.

Permaneceu junto dele até poder,
Não se cansava de o acariciar,
Mas o tempo passava a correr,
Teria de ir embora sem ele acordar.

De repente sentiu-o mexer a mão,
Quando na sua houve uma pressão,
Era um sinal de que ouviu sua oração,
E a deixou com esperança no coração.

Foi logo avisar o médico de serviço,
Que satisfeito verificou as melhoras,
Disse-lhe que ela quebrou o feitiço,
Agora era esperar as próximas horas.

Não podia permanecer mais tempo,
Beijou-o apaixonada e foi embora,
Esperançosa por este acontecimento,
E animada por esta grande melhora.

Paula Costa - 24.11.2008...(continua....)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Conto 4 - "Um Conto Rimado" - Parte 10


Dirigiu-se ao hospital da sua zona,
Porque era o único que por lá havia,
Com ar sofredor e meia chorona,
Deu o nome dele para ver se existia.

Informaram-na que estava lá internado,
E que o seu estado era muito complicado,
Em coma profundo era o seu estado,
E ao acordar poderia ficar incapacitado.

Quis saber se o poderia visitar,
Mas as visitas eram só para a família,
A uma funcionária tentou implorar,
Uma escapadela rápida nesse dia.

A senhora viu o seu ar preocupado,
Disse-lhe para voltar depois das visitas,
Que a fazia passar por outro lado,
Como enfermeira que leva as marmitas.

Laura agradeceu imenso a simpatia,
E comoveu-se com tanta gratidão,
Quis retribuir com uma certa quantia,
Mas foi-lhe logo negada essa doação.

Foi embora era quase hora de almoço,
Sua cabeça estava a mil e meia confusa,
Esperava que não houvesse alvoroço,
E não viesse a ser tida como intrusa.

Paula Costa - 20.11.2008...(continua....)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Conto 4 - "Um Conto Rimado" - Parte 9


Joana ficou em pânico e muito aflita,
Seu filho entrou no quarto assustado,
Viu o pai esvair-se em sangue e grita,
-Acudam que meu pai está desmaiado.

Ligaram ao 115 e foi para o hospital,
Diagnosticando-lhe uma grave fractura,
Gonçalo encontrava-se mesmo mal,
Um coma profundo era realidade pura.

Joana teve de prestar declarações,
E justificou-se com auto-defesa,
Mostrou o pescoço com escoriações,
O marido a queria matar de certeza.

Ficou ilibada de qualquer culpa,
Mas martirizava-se do mal do marido,
Chorava e dizia que não tinha desculpa,
Não devia tê-lo agredido e ferido.

Passava os dias no hospital com o filho,
À espera que acordasse ou dum sinal,
Sua vida deixou de ter qualquer brilho,
E nunca mais sua relação seria igual.

Laura não sabia de nada deste drama,
Nem uma única notícia de seu amado,
Estranhava a ausência de quem ama,
Encontrava sempre o telemóvel desligado.

Decidiu rondar sua casa a ver se o via,
Mas só conseguiu avistar a família,
Mais preocupada ficou ao fim do dia,
Porque não entrou nesse tempo de vigília.

Sabia onde trabalhava, era Guarda-Fiscal,
No dia seguinte foi pedir uma informação,
Foi quando soube que estava no hospital,
Deixando-lhe um grande aperto no coração.

Paula Costa - 18.11.2008...(continua....)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Conto 4 - "Um Conto Rimado" - Parte 8


Finalmente chegou o dia decisivo,
Gonçalo chamou Joana para conversar,
Falou calmamente e sem ser agressivo,
Para não a assustar e nem enervar.

Estranhou o marido mas já calculava,
Sabia que um dia o poderia perder,
Para Gonçalo, era uma simples escrava,
E como mulher só o fazia aborrecer.

Começou por falar da monotonia,
Já não mantinham uma relação feliz,
Não havia entusiasmo, nem euforia,
Continuar juntos, seriam uns imbecis.

Não era o fim do mundo por terminar,
Eram ainda jovens para refazer a vida,
O primeiro impacto iria magoar,
Mas o tempo curaria essa ferida.

Joana ouviu-o mantendo-se calada,
Sabia que ia acontecer mas não acreditava,
Com esta realidade sentiu uma alfinetada,
E subitamente ficou bastante brava.

Começaram a agredir-se verbalmente,
Já não era uma conversa amena,
Insultavam-se indecentemente,
Pareciam dois touros numa arena.

Joana começou a ter medo de Gonçalo,
Mas disse que não haveria separação!
Encrespou-se para ela como um galo,
Suas mãos ao pescoço, foi a reacção!

Ela esbracejou tentando se soltar,
À cómoda do quarto ficou encostada,
De costas tentou com as mãos achar,
Algo duro para lhe dar uma paulada.

Uma boneca de porcelana foi a arma,
Bateu-lhe com força, violentamente,
Gonçalo caiu inanimado sobre a cama,
Com a cabeça a sangrar do incidente.

Paula Costa - 12.11.2008...(continua....)