terça-feira, 16 de outubro de 2007

2º Conto - "Encontro Ocasional" (Parte 14)

Madalena tinha escutado toda a conversa e ficou muito apreensiva colocando a cabeça a funcionar para se recordar de onde conhecia Joana. Perguntou a Tiago o que ela fazia, onde trabalhava e fez-se luz, pois Joana trabalhava na empresa do marido. Lembrou-se de a ver em sua casa umas duas vezes quando seu marido ia de partida para o estrangeiro e levava sempre com ele uma secretária particular. Escolhia-as a dedo, todas eram muito bem parecidas, bonitas e elegantes. Madalena sempre desconfiou que aquelas acompanhantes não seriam somente secretárias, mas nunca aprofundou o assunto porque não tinha interesse nas manobras que o marido fazia fora de casa, dado que não lhe faltava nada, tinha uma vida descomplicada e com bastante liberdade para fazer o que bem lhe apetecesse. Se começasse a fazer perguntas e a discutir o assunto ainda poderia pôr tudo a perder e vir a ficar sem aquela vida luxuosa de que muito gostava. Então seu marido tinha os seus flirts e ela os seus. Só não admitiam saber das coisas, tinha de ser tudo na mais alta discrição.
Depois desta lembrança, Madalena ficou assustada, tinha receio que Joana viesse a contar ao seu marido e não queria que as coisas fossem descobertas dessa maneira, preferia que ele quando soubesse fosse por ela mesma e com uma conversa amena e sem conflitos.
Tiago também ficou preocupado, pois sabia como era Joana e com os ciúmes que tinha dele de certeza que não ia fica calada. Ela foi lá a casa propositadamente para lançar o seu veneno. Tinham ambos de pensar o que fazer naquela situação.
- Acho que está na hora de contares tudo ao teu marido Madalena, antes que ela corra a fazê-lo. Digo-te já que Joana é possessiva e o fará de certeza, mas acho que ganhamos um pouco de tempo e fiz bem em mandá-la embora. Ela antes de contar ainda vai voltar à carga comigo e dizer ao que veio e de certeza lançar a sua chantagem. O que propões?
- Eu não sei, mas depois disto só me apetece matá-la! – e viu-se pelo olhar dela de que estava mesmo a falar o que sentia e queria fazer, estava deveras aflita.
- És doida? Isso é crime e ainda eras descoberta.
- Tenho meios de o poder fazer e de que ninguém descubra, o dinheiro serve para isso mesmo.
Tiago ficou muito assustado com a maneira tão fria e calculista de Madalena resolver o problema e não acreditava que era a mesma pessoa meiga, suave, delicada, que conhecera.
Não sabia como agir mas pediu-lhe tempo para pensar no assunto e sem precipitações. Até Joana voltar a procurá-lo tinham tempo de pensar em algo menos perigoso e sem ninguém sair magoado.

------Trecho escrito por Paula Costa em 16.10.2007 --------(continua)----------

terça-feira, 9 de outubro de 2007

2º Conto - "Encontro Ocasional" (Parte 13)

Tiago reparou que até Madalena não deixara de observar Joana, parece que ambas se faiscavam com o olhar e as suas feições estavam carregadas de ciúmes.
Incomodados por se sentirem sempre na mira de Joana, mal terminaram a sobremesa e os cafés, pediram logo a conta e não permaneceram mais no restaurante, nem para continuar a conversa naquele local que lhes parecia muito agradável para ficar mais um pouco.
- Vamos beber um copo a outro lado? – perguntou Tiago.
- Vamos sim, acho que estaremos melhor onde ninguém nos conhece, pois a tua amiga não tira os olhos de nós – disse meia irritada.
Deslocaram-se até um bar, saborearam uns digestivos e Tiago tentou desviar os seus pensamentos do acontecido mas Madalena quis saber a sua história com Joana. Então ele contou-lhe que tivera um relacionamento problemático e que Joana era muito ciumenta. Tinha durado cerca de um ano e terminado há cerca de 3 meses, mas viu-se aflito para se ver livre dela porque nunca quis aceitar a separação.
- E agora ela já aceita? – perguntou Madalena.
- Bem, de vez enquanto ainda me telefona a forçar um encontro mas eu cortei radicalmente não alimentando nenhuma esperança, porque ela era demasiado dominadora e não admitia que me aproximasse de nenhuma mulher e na minha profissão não me posso dar ao luxo de lhe fazer todas as vontades. Lido todos os dias com imensas mulheres e algumas até as tenho de chefiar.
- Eu não sei porquê mas já vi a cara da tua amiga em qualquer lado, não me é nada estranha e senti que ela também me reconheceu, por isso fiquei mais apreensiva, compreendes porquê não é Tiago, não me posso expor assim, o meu marido não pode saber disto, pelo menos para já.
- Não te preocupes, deve ser só impressão, vamos esquecer por agora este assunto? Quero-te tão bem disposta como estavas antes, pode ser? Dás-me um beijo?
E dali para a frente tentaram mesmo abstraírem-se e entregarem-se ao momento, bebendo mais uns copos, ficando cada vez mais alegres. Não durou muito tempo para que se deslocassem para casa de Tiago, pois já não aguentavam mais sem se poderem amar e concretizar o mais esperado daquele encontro.
Fizeram amor pela noite dentro. Madalena não voltou para casa porque o seu marido continuava no estrangeiro e não teve coragem de a altas horas da madrugada regressar. Já a Tiago esperava-lhe mais um dia de trabalho e não sabia como iria conseguir aguentar sem ter descansado quase nada, mas pelo prazer conseguia esquecer tudo e as coisas se resolveriam depois.
Durante toda a semana encontraram-se depois do trabalho de Tiago, cada vez se gostavam mais e não queriam passar um dia um sem o outro. Madalena não ficou a dormir todos os dias em sua casa, porque sabia que Tiago andava super cansado e sem descansar quase nada, mas quando ele insistia permanecia por lá. O seu marido só voltava de viagem na semana seguinte e ela aproveitava a sua ausência.
Chegou finalmente sexta-feira e Madalena voltou a lá pernoitar dado que no dia seguinte Tiago já não tinha que ir trabalhar. Tinha sido uma semana louca de amor e nem pensavam nos problemas que poderiam aparecer mantendo aquela relação ainda escondida de todos.
Eram cerca das 11h de sábado quando tocam à porta. Tiago estranhou o toque àquela hora porque não esperava ninguém. Deixou Madalena na cama e foi abrir, pedindo-lhe que aguardasse. Surpreendeu-se com a presença de Joana.
- Joana? Que fazes aqui? – perguntou-lhe irritado.
- Calma, somos amigos ou não? Não posso vir à tua casa?
- Claro que podes, mas agradecia que me avisasses antes!
- Desculpa, pensei que não fosse preciso … mas, incomodo agora? Não posso entrar? – disse em tom meio irónico.
- Neste momento não te posso atender, preferia que voltasses outro dia.
- Já vi que não estás sozinho, estás com a tua amiga Madalena do outro dia?
- Isso já não te diz respeito, queres fazer o favor de te ires embora? Ligas e falamos outro dia, agora é impossível.
- És mesmo desagradável e nada educado, vim aqui de propósito falar-te sobre a tua amiga e tu mandas-me embora.
Tiago ficou com a pulga atrás da orelha em saber o que ela tinha a dizer mas manteve a sua palavra e mandou-a embora, também porque sabia que Madalena poderia estar a escutar, pois o quarto ficava bem perto da porta de entrada.

------Trecho escrito por Paula Costa em 09.10.2007 --------(continua)----------

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

2º Conto - "Encontro Ocasional" (Parte 12)

Tinham acabado estas mini férias de Tiago e estava na hora de voltar ao trabalho. O descanso total que tinha planeado inicialmente tinha saído furado, nunca pensou que outros acontecimentos se iriam passar, mas não estava descontente, antes pelo contrário, tinha conhecido Madalena e não se arrependia de nada, foi uma semana louca de paixão.
Era Arquitecto numa empresa de Construção Civil e tinha um alto cargo, comandando um pequeno grupo de outros Arquitectos e Engenheiros, pelo que era um serviço com muita responsabilidade de que não se podia descurar para que tudo saísse na perfeição.
Este primeiro dia estava a ser terrível, muita coisa para despachar que ficou pendente toda a semana e caía agora nas suas costas. Nunca mais chegava o final do expediente para poder sair dali e ir ver a sua amada, como tinha ficado combinado no dia anterior quando lhe ligou a dizer que tinha chegado a casa. Ficaram de se encontrar no final da tarde, depois que ele saísse do trabalho, junto ao Castelo do Queijo na Foz para de seguida irem jantar.
Finalmente aquele dia de trabalho terminou, estava deveras desgastado, mas só em pensar no encontro que iria ter, reavia todas as forças e o cansaço ficava de lado, apressando-se para ir a casa rapidamente, tomar um duche, mudar de roupa e voar até ao Porto ao encontro da sua Madalena.
Tiago foi recebido como se não se vissem há imenso tempo, embora tivessem se separado só no dia anterior. Mas aquele afastamento depois daquela semana quase sempre juntos, conseguiu enchê-los de saudades em tão pouco tempo. Pareciam dois miúdos apaixonados e quando se viram juntos de novo não paravam de se abraçar e beijar pronunciando palavras românticas um ao outro.
Mais calmos deste reencontro inicial, dirigiram-se para um restaurante em Leça da Palmeira com vista para o mar, escolhendo uma mesa bem perto da janela para desfrutarem daquela vista maravilhosa.
Conversaram amiúde do dia que passaram, o que fizeram, etc., até tocarem no assunto do que iriam fazer futuramente com o que estava a acontecer entre eles. Queriam poder levar aquele envolvimento sem medos de serem vistos e de alguém vir a se magoar.
- Vamos ter calma Tiago, tudo isto é muito recente e tenho de ver a melhor maneira de poder mudar a minha vida, tudo me custou imenso a conquistar, adoro tudo o que tenho e não quero sair disto com uma mão à frente e atrás. Se me divorciar do meu marido perco tudo o que tenho.
- Tudo bem, mas eu tenho um bom cargo, não tenhas receio por isso, pode não ser igual ao que estás habituada mas acho que o nosso amor é fundamental, não é assim?
Estavam ambos tão concentrados naquela conversa que nem se apercebiam de quem mais jantava naquela sala. Sem contar Tiago foi surpreendentemente abordado na sua mesa por uma mulher que Madalena desconhecia.
- Boa noite Tiago, é uma surpresa encontrar-te aqui! – e dirigiu um olhar curioso à sua companheira, estudando-a de alto a baixo.
Tiago ficou atrapalhado com aquela aparição mas conseguiu disfarçar rapidamente, cumprimentando-a cortesmente.
- Olá Joana, como vais? Realmente é surpreendente encontramo-nos ambos no mesmo restaurante – e educadamente apresentou a sua companhia – esta é a Madalena!
Cumprimentaram educadamente mas mirando-se sempre com alguma curiosidade. Eram ambas mulheres muito bonitas e espampanantes. Findo este pequeno acontecimento, Joana despediu-se, esboçando um sorriso amarelo, e dirigiu-se à sua mesa, dado que também estava acompanhada por outros casais.
Notava-se que Madalena estava apreensiva em saber que tipo de relacionamento havia ou teria havido entre eles e esperou que Tiago tomasse a iniciativa em lhe contar, olhando-o curiosa.
- A Joana é a minha ex-namorada, mas já não existe nada entre nós há algum tempo.
Madalena aceitou a sua explicação mas a partir dali aquele jantar ficou mais frio, sentiam-se sempre observados e um mal-estar apoderou-se daquela mesa até se irem embora.

------Trecho escrito por Paula Costa em 08.10.2007 --------(continua)----------

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

2º Conto - "Encontro Ocasional" (Parte 11)

Nos restantes dias que se seguiram até ao final da semana, aproveitaram todos os momentos ao máximo e sempre juntos. A sintonia entre os dois tornara-se evidente e nem sequer queriam pensar como seria depois de regressarem as suas casas. Tiago tinha abandonado a Pensão em que se tinha alojado e a convite de Madalena mudou-se para a Mansão.
Chegou finalmente o dia crítico que ambos não queriam que chegasse, era preciso fazer as malas partindo para as suas vidinhas do dia-a-dia. Fizeram promessas que não se iriam perder, estariam sempre em contacto e também que tentariam resolver a melhor maneira de se encontrarem para poderem ficar juntos.
Fizeram o trajecto sempre um atrás do outro, sempre com brincadeiras pelo caminho, ultrapassagens um ao outro, acelerações bruscas a ver quem andava mais depressa, de vez enquanto punham-se lado a lado e atiravam beijos e piropos um ao outro, até ao limite do caminho que os ia separar. Moravam a cerca de 30 km de distância um do outro, Madalena em Mindelo e Tiago em Vila Nova de Gaia. Como vinham de norte, a entrada para Mindelo marcava o local que teriam de seguir rumos diferentes mas Tiago tinha combinado com Madalena que entraria também por lá, ainda iriam almoçar e depois é que seguiria na direcção do Porto até sua casa.
Findo o almoço assim foi, teve lugar a despedida.
- Liga-me mal chegues a casa, quero saber se chegaste bem – disse Madalena - até parece que já estou com saudades tuas e ainda não te foste embora.
- Sim querida, não te preocupes que ligarei – disse num tom meio sorumbático porque era um momento triste aquela separação depois de dias tão felizes – adoro-te muito!
E deram um beijo longo cheio de sentimento, partindo ambos para suas casas.

------Trecho escrito por Paula Costa em 28.09.2007 --------(continua)----------

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

2º Conto - "Encontro Ocasional" (Parte 10)

Viram-se finalmente sozinhos e sem ninguém à vista para os impedir daquilo que sonhavam há alguns dias. Estavam ambos sedentos de desejo e mostraram logo de inicio essa sede porque não se largavam. Madalena pegou-lhe pela mão e conduziu-o de imediato ao seu quarto. Os abraços, as carícias, os beijos, não cessavam e os gemidos dos dois demonstravam que se desejavam mutuamente. Naquele momento Tiago já nem pensava que ela era casada e estava a cometer um erro, queria era desfrutar do momento e uma mulher daquelas não se podia desperdiçar por nada. Fizeram amor horas a fio e acabaram depois por adormecer juntos bem agarradinhos, esgotados. Nem se lembraram do almoço, quando despertaram já eram cerca das 17 horas. Madalena acordou primeiro e viu que não tinha sido um sonho, tinha acontecido realmente. Olhou o relógio e reparou que já estava a meio da tarde. Passou a sua mão pelo rosto de seu companheiro e Tiago abriu o sobrolho vendo Madalena a sorrir para ele.
- Que fome Tiago, tenho o estômago colado às costas – e deu uma valente gargalhada – vamos comer algo à cozinha ou tu não tens fome?
- Nem me fales, depois daquela maratona o que achas? – disse Tiago também acompanhando à gargalhada e espreguiçando-se depois de acordar.
Vestiram somente uns robes que existiam ali já para estes percalços e desceram a escadaria até à cozinha para comer qualquer coisa que havia já sido preparado anteriormente pela empregada. Em todo este tempo que permaneciam juntos não paravam os piropos, os beijinhos e as carícias, entendiam-se às mil maravilhas. Findo este almoço que já era lanche, deslocaram-se para o local da piscina, aconselhado por Madalena, e esticaram-se na relva a apanhar sol, como Deus os deitou a mundo. Era uma propriedade privada e longe de olhares alheios, podiam estar à vontade naquele local que não eram vistos por ninguém. O dia estava muito quente, um sol radioso a convidar a um banho de piscina. A água estava morna e nem esperaram fazer a digestão, desfrutando juntos daquela maravilha. Também brincaram na água sem tabus, pareciam dois adolescente que já se conheciam há imenso tempo. Depois de alguma serenidade nas brincadeiras começaram a clarificar as ideias e Tiago, o mais arredio neste tipo de relações proibidas, ficou mais sério e virou-se para a sua companheira dizendo:
- E agora Madalena, como vai ser daqui para a frente?
- Por mim continuamos a encontrarmo-nos, adorei estar contigo, tu não queres?
- Lógico que quero, mas existe o teu marido!
- E depois? Ele não precisa saber – disse sem rodeios.
- E vai ser sempre assim, tudo às escondidas? Eu quero mais que isso, quero que sejas só minha.
- Vamos dar tempo ao tempo e ver a melhor maneira, não precipitemos as coisas já Tiago, está bem?
Ele concordou e continuaram aquele resto dia juntos sem pensar mais no assunto.
Madalena habituada a já ter outros casos, mais um não fazia diferença, o seu marido nunca precisava saber. Mas com Tiago estava a tornar-se diferente, não era só sexo mas havia mais qualquer coisa que também a fazia querer ficar só com ele, mas não queria precipitar-se, aquele relacionamento era muito recente e tinha que estudar melhor se as coisas continuavam a funcionar bem e para mudar tinha de ser para uma coisa segura, dado no momento, ter tudo o que precisava e abundantemente.

------Trecho escrito por Paula Costa em 19.09.2007 --------(continua)----------

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

2º Conto - "Encontro Ocasional" (Parte 9)

O marido de Madalena permaneceu na Vila mais 2 dias para desespero dela. A ansiedade de se encontrar com Tiago era cada vez maior, mas não podia fazer nada porque Sérgio não descolava dela seja lá para onde se deslocasse. Só conseguia enviar de vez enquanto uma sms ou fazer uma ligação rápida para dizer que ainda não tinha sido possível o encontro de ambos mas que a vontade era imensa e mal pudesse iria ter com ele. Chegou finalmente, terça-feira ao fim da tarde, um telefonema da empresa de seu marido dando-lhe conhecimento de que o esperavam para uma reunião importante na quarta-feira pelas 14h, pelo que teria que arrancar dali pela manhã.
Já Tiago passou esses dias sozinho a conhecer a Vila, a descansar e a ler, mas sempre com a cabeça direccionada para Madalena, não conseguia abstrair-se dela. Era quarta-feira e começava a pensar que provavelmente o seu marido iria passar a semana toda com ela e ele não teria nenhuma hipótese de desfrutar o resto dos dias na sua companhia. Umas férias que tinha escolhido para descansar e longe dos negócios estavam a parecer-lhe enfadonhas devido à ansiedade que sentia e ao mesmo tempo não o queria sentir, não era esse o objectivo daquela escapadela.
Encontrava-se a tomar o pequeno-almoço, cerca das 10,30h, quando toca o seu telemóvel. Pensou logo que poderia ser ela e disso logo se certificou, atendendo ansioso.
- Bom dia Madalena, então já há novidades?!
- Bom dia! Sim, meu marido já foi embora, partiu há cinco minutos, vim logo ligar-te, quero ver-te! – disse-lhe sem lhe perguntar se era também esse o seu desejo, a sua vontade era como uma ordem, quando queria algo nem o questionava, fazia!
- Eu também o quero muito, como fazemos?
- Dispensei os criados, dei folga à Camila para tratar do Gervásio e portanto espero-te aqui em casa. A que horas podes vir?
- Estou ainda a tomar o pequeno-almoço e mal me despache irei de seguida! Em meia hora encontras-me aí. Beijinhos e até já!
O semblante de Tiago mudou completamente, andava carrancudo e de mau humor e mal terminou aquele telefonema o seu rosto iluminou-se, o seu corpo ficou mais enérgico, cheio de pressa em tudo o que fazia para chegar mais depressa a casa da sua amiga. Antes de sair de casa vestiu uma roupa adequada que o fazia sentir mais senhor de si, olhou-se no espelho e gostou de se ver e partiu rumo aquele encontro que não lhe saia da cabeça desde sábado passado.
Madalena também quis impressionar e mal terminou a ligação correu a produzir-se para o esperar. Vestiu um vestido branco de seda muito leve e curto, com um decote bem acentuado e que prendia nos ombros com umas alcinhas bem fininhas. A langerie que escolheu era de alta qualidade e muito elegante, dum tom branco pérola, que lhe realçava todas as suas belas formas. Perfumou-se suavemente sem exagerar e maquilhou-se levemente, dado que sabia que era uma mulher bonita e não precisava de tantos esquemas para alterar a sua beleza natural. Estava pronta! Um nervoso miudinho acompanhava-a e não parava de olhar o relógio, até que sentiu um carro aproximar-se e esperou que tocassem no portão para se certificar que era ele. O seu coração acelerou mais quando ouviu a campainha e accionou o comando para que se abrisse e Tiago pudesse entrar. Ele aproximou-se da casa, viu-a à porta a olhar sorridente, estacionou e saiu ao seu encontro também super sorridente. Não sabia ainda muito bem como seria o cumprimento entre ambos mas mal chegou perto dela, Madalena enlaçou os seus braços no seu pescoço e deu-lhe um beijo escaldante na boca ao que ele correspondeu sem entraves.

------Trecho escrito por Paula Costa em 14.09.2007 --------(continua)----------

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

2º Conto - "Encontro Ocasional" (Parte 8)

Disfarçou bem o seu mal-estar e colocou um belo sorriso, cumprimentando o seu marido com um longo abraço e um beijo carinhoso.
- Que boa surpresa querido! É bom ter-te aqui assim sem contar, já tinha saudades tuas. Vais ficar muito tempo pela Vila?
- É para veres como o teu maridinho te adora e te faz lindas surpresas – e estendeu-lhe a mão que transportava uma pequena caixa com um lindo laçarote – toma, nunca me esqueço de ti meu amor! Ainda não sei quantos dias ficarei, tudo depende duns certos telefonemas, já sabes como são os negócios.
Madalena abriu o presente e verificou tratar-se duma linda jóia, um colar de ouro muito bonito e com pedrinhas de esmeralda. Sérgio tinha sempre um gosto apuradíssimo e sabia muito bem do que ela gostava, todas as vezes que estava para fora, sua esposa era sempre presenteada com algo para sanar a sua ausência permanente.
- É muito lindo, adorei – e pediu-lhe para a ajudar a apertar o colar atrás quando o experimentou no pescoço.
Depois de colocarem os assuntos em dia, de falarem de tudo o que se tinha passado na ausência dele, foram jantar e mais tarde recolheram-se no quarto. Madalena estava desconsolada mas não podia deixar transparecer que isso se viesse a notar e colocou uma postura credível aos olhos de seu marido de como estivesse muito saudosa.
Também Tiago, já na pensão, passou aquela noite meio entristecido, depois de imaginar tudo o que poderia ter acontecido. Mas ao mesmo tempo sentia que tinha recebido um sinal para não se ter passado nada, poderia meter-se em trabalhos.
As suas malas foram entregues depois do jantar, provavelmente Madalena não teria tido oportunidade de dar antes essa ordem para que o marido não percebesse.
No dia seguinte havia uma certa ansiedade, tanto em Madalena como em Tiago, esperavam ambos poder contactar-se o mais depressa possível. Tiago não poderia fazê-lo, só lhe restava aguardar. Já Madalena esperava uma aberta de seu marido que não descolava dela nem por um minuto. Aconteceu que a meio da manhã ele foi tomar um duche e ela desapareceu de repente do quarto para ligar a Tiago.
- Bom dia Tiago, desculpa ontem, mas eu não podia fazer nada como deves compreender. Mas eu preciso ver-te, tenho de arranjar uma maneira, espero que o queiras também!
- Bom dia Madalena, lógico que também quero, ontem conseguiste deixar-me louco. Espero que o consigas brevemente.
- Sim, vou fazer de tudo, espera até lá que entro em contacto. Um beijo delicioso e até breve, tenho de desligar.
- Um beijo grande, liga rápido!

------Trecho escrito por Paula Costa em 10.09.2007 --------(continua)----------